
O que realmente representa a ausência da grande maioria da classe política maranhense neste evento de campanha do campeão de votos do estado?
A primeira passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Maranhão em periodo de campanha eleitoral foi marcada por detalhes emblemáticos e ausências de peso que não passaram despercebidos pelos bastidores da política maranhense. Apesar de o PT ter participado do primeiro turno das eleições com candidatura própria, Lula não esteve no estado para pedir votos diretamente aos seus apoiadores locais. Felipe Camarão, candidato ao governo pelo PT e Orleans Brandão, também candidato ao governo pelo MDB não tiveram a presenca do presidente em suas batalhas por conquista de votos.
Outro ponto que chamou atenção ocorreu logo após o encerramento do primeiro turno, quando o vice-governador Felipe Camarão anunciou publicamente que fora convocado por Lula para comandar sua campanha no estado. No entanto, no momento do ato político, Camarão não foi relacionado para subir no caminhão ao lado do presidente e do governador Carlos Brandão.
A recepção ao presidente também refletiu o clima de isolamento e fragmentação. Apesar do grupo do governador ter elegido boa parte dos deputados estaduais e federais pedindo voto a Lula, Carlos Brandão chegou ao aeroporto de São Luís acompanhado por pouquíssimas lideranças. Até mesmo seu sobrinho, Orleans Brandão, que fez questão de declarar apoio irrestrito a Lula, não participou da comitiva do governo durante agenda do presidente da República na capital.

No campo das imagens e gestos, dois fatos saltaram aos olhos: o sorriso visivelmente forçado do presidente Lula ao erguer as mãos para as câmeras ao lado do governador Carlos Brandão durante o percurso contrastou fortemente com a fisionomia descontraída e o sorriso espontâneo demonstrados durante a visita cortês ao ex-presidente José Sarney. Para completar o quadro de distanciamento, registrou-se a ausência total do senador Weverton Rocha, que não deu as caras em nenhum momento da agenda presidencial.
A Opinião do Blog
Diante de todo esse cenário de desencontros, a avaliação deste blog é de que a coordenação e a organização da campanha do presidente Lula agiram de forma corretíssima ao priorizar a presença e a companhia do governador Carlos Brandão.
Apesar da ausência ostensiva de diversas lideranças de seu grupo político, a escolha se fundamentou na pragmática realidade das urnas: a expressiva diferença de votos registrada entre Felipe Camarão e Orleans Brandão na disputa pelo Governo do Maranhão impôs o reconhecimento da força e do peso institucional do governador do estado.
Somou-se a esse contexto a ausência do ex-prefeito, governador eleito Eduardo Braide e de seus principais aliados considerados dinistas o que evidenciou ainda mais as fraturas e os melindres da articulação política no estado nesta etapa decisiva.
Diante de tantas pontas soltas, ausências calculadas e gestos contidos, fica a inevitável reflexão: o que realmente representa a ausência da grande maioria da classe política maranhense neste evento de campanha do histórico campeão de votos do estado? E qual será a real força e repercussão dos coros pró-Lula no Maranhão nas urnas do próximo domingo?








